O poder da mídia na influência do consumo exacerbado:
Certamente você já percebeu que ao ligar a televisão
o número de propagandas referentes a produtos são exageradas. Ao assistir um programa infantil em um
intervalo, a propaganda surge como um chamariz do consumo, crianças altamente
felizes intensificando a ideia de que ao comprar o produto em destaque você
será igual a aquela criança fictícia que a própria mídia impõe que sejamos. No
âmbito dos adultos nada é diferente, modelos estonteantes, casais felizes,
vidas invejáveis destinadas a lhe garantir que comprando você se igualará a
estes personagens, ou seja, compre e seja, tenha e se enquadre ao modelo
pré-estabelecido pela sociedade atual e caso você se oponha, será marginalizado.
A mídia exerce um papel fundamental para
o consumismo, é ela quem irá intensificar e disseminar este.
Ao analisarmos a cerca da influência da mídia no
consumo exacerbado pela sociedade, não podemos deixar de citar as ideias do
geógrafo Milton Santos a cerca do poder da informação, conjugando este com o
conceito frankfurtiano de indústria cultural.
Milton Santos
ao abordar sobre a globalização, denominando-a de “Globaritarismo”, nos mostrando
o lado de uma globalização maldita que se utiliza da tirania da informação para
manter-se hierarquicamente superior: “Esse
globalitarismo também se manifesta nas próprias ideias que estão atrás de tudo.
E, o que é mais grave, atrás da própria produção e difusão das ideias, do
ensino e da pesquisa. Todos obedecem, de alguma maneira, aos parâmetros
estabelecidos. Se estes não são respeitados, os transgressores são marginalizados,
considerados residuais, desnecessários ou não-relevantes. É o chamado
pensamento único. Algumas vozes críticas podem se manifestar, uma ou duas
pessoas têm permissão para falar o que quiserem, para legitimar o discurso da
democracia. Só que a estrutura do processo de produção das ideias se opõe e
hostiliza essa produção de ideias autônoma e, por conseguinte, de alternativas.
É uma forma de totalitarismo muito forte, insidiosa, porque se baseia em ideias que aparecem como centrais à própria ideia da democracia, liberdade de opinião, de imprensa, tolerância, utilizadas exatamente para suprimir a possibilidade de conhecimento do que é o mundo, do que são os países, os lugares. Eu chamo isso de tirania da informação, que, associada à tirania do dinheiro, resulta no globalitarismo.”
É uma forma de totalitarismo muito forte, insidiosa, porque se baseia em ideias que aparecem como centrais à própria ideia da democracia, liberdade de opinião, de imprensa, tolerância, utilizadas exatamente para suprimir a possibilidade de conhecimento do que é o mundo, do que são os países, os lugares. Eu chamo isso de tirania da informação, que, associada à tirania do dinheiro, resulta no globalitarismo.”
Com isto, notamos que a
função da mídia aliada à tirania da informação é justamente transmitir a ideia
dos grupos hegemônicos, incluindo o consumo exagerado dos seus produtos.
Conforme o conceito frankfurtiano de indústria cultural elaborado pelos
pensadores e cientistas sociais alemães, com destaque a Theodor
Adorno, Max Horkheimer, nos é esclarecido
que a mídia rege-se conforme um modelo industrial, cujo interesse primordial
está em mercantilizar a cultura, ou seja, vender as ideias de interesses dos
grandes conglomerados hegemônicos.
"O
mercado dos bens culturais assume novas funções na configuração mais ampla do
mercado de lazer. Outrora os valores de troca não alcançavam nenhuma influência
sobre a qualidade dos próprios bens. A consciência específica desses setores só
se mantém agora, no entanto, em certas reservas, pois as leis do mercado já
penetraram na substância das obras, tornando-se imanente a elas como leis
estruturais. Não mais apenas a difusão e escolha, a apresentação e a embalagem
das obras - mas a própria criação delas, enquanto tais, se orienta nos setores
amplos da cultura de consumo, conforme os pontos de vista da estratégia de
vendas no mercado. Sim, a cultura de massas recebe o seu duvidoso nome
exatamente por conformar-se às necessidades de distração e diversão de grupos
de consumidores com um nível de formação relativamente baixo, ao invés de,
inversamente, formar o público mais amplo numa cultura intacta em sua
substância." (Habermas, [1962] 1984, p. 195)”
É perceptível
a forte influência das grandes empresas de comunicação na esfera da formação do
sujeito cognitivo, até mesmo a cima da família e a própria escola levando-nos,
enquanto sujeito, a nos subordinarmos a estes ideais impregnados em nosso
dia-a-dia, resultando em uma negociação de bens, ideias e até mesmo pessoas
altamente descartáveis.

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